In Vacum

Lá estava eu, absorta em algum lugar não muito longe quando uma porta se abriu. No fundo eu já sabia do que se tratava, mas a primeira coisa que percebi foi a probabilidade de um pesadelo já que acordei escondendo a boca com uma das mãos. Abruptamente peguei o relógio e observei que tinha meia hora para me arrumar e correr para o trabalho, nada muito anormal. Sentei na cama como se tivesse um peso absurdo nas costas, olhei para os meus chinelos em cima de um tapete encardido e senti vontade de sumir. Mesmo atrasada tentei tomar um banho relaxante, limpar meu corpo de toda a sujeira do final de semana, toda a porquice alheia incrustada no meu ser. Mas estou tão presa aos fatos, às verdades..que faço as coisas e não me apercebo, e então, minutos depois me pergunto irritada aonde coloquei meus brincos ou a chave de casa. Ao menos o tempo estava de acordo com o meu estado de espírito e isso acalentou um pouco o meu eu. Nublado e triste, mas me trouxe uma calma antiga e fez eu me sentir melhor. Tentar sorrir deve ter algum crédito agora. Enquanto isso, continuo tomando o meu velho café e pensando sobre a minha imaturidade, inconsequência e maluquice. Nunca disse que eu era normal, mas as vezes gostaria de ser. Permaneço absorta em mim, tentando me encontrar para nunca mais voltar.

Concluindo...

É incrivelmente absurda a forma como anos depois eu venho a escrever um novo post no blog. Tudo começou com a seguinte percepção - Sushi, é vida. Livro, é vida. Troquei sushi por livro!- A partir daí, comecei a minha busca por outras edições decentes da série A Mediadora, pelo visto já antiga. Mas para uma breve introdução, digo que me dispus a ler a coleção, porque como sempre digo, para mim, a capa é a primeira instigadora da leitura e em segunda mão a sinopse, e eis que gosto da leitura. Um tanto quanto juvenil, lembrando muito os livros da coleção Vagalume - sim, aquela coleção que todos leram quando crianças - porém conseguiu prender minha atenão de forma inocente. Não me recordo da última vez em que li livros nos moldes de Agatha Christie, com fantasmas e/ou desaparecimentos sem explicações. Os livrinhos da Meg Cabot, em se tratando da série A Mediadora, são bacaninhas de ler quando se está enjoado de leituras progressivamente padronizadas na sua biblioteca pessoal. É uma leitura light e rápida , pois o livro tem em torno de 272 páginas, mas não vou desmerecer a autora porque realmente fico na expectativa para saber qual será a próxima história. O terceiro livro, Reunião, está à minha espera na livraria, pois financeiramente acabei tendo que parar de ler e para não ficar inerte acabei lendo A Cabana em seu lugar - livro excelente, por sinal - e eis que quando estou prestes a iniciar Puros, de Julianna Baggot, me lembro, novamente com o sentimento de culpa, de que é contra minhas morais leiturísticas não terminar séries que me dispus a ler. Sim, estou curiosa desde então para continuar, e não somente por este motivo, mas porque o livro é realmente legalzinho. Então, lembrei-me de que na quarta-feira eu havia deixado de comprar sushi por preguiça - pasme - e que eu tinha possibilidades agora de comprar a continuação do livro dois! Aí então, você pode ver o sentido no início do texto porque comecei realmente a buscar outras edições de "Reunião". Foi triste, de fato, porque era o único livro da série em que a capa era totalmente fora do padrão, completamente nada a ver mesmo. Era uma capa tosca, desenhada, que me fazia lembrar da minha infância quando eu descobria livros do Pedro Bandeira ou mesmo aqueles da coleção Vagalume que tinha aos mils na biblioteca do colégio. Fiquei frustrada, porque como eu disse antes o livro era legalzinho e aí eu me recusei a comprar uma nojeira daquelas. 

Bom, agora vem toda a argumentação que me levou a escrever definitivamente esse post. Encontrei, ainda bem, a edição nova do terceiro livro - fantástica, um trabalho lindo a de quem fez, pena que não tenho o livro aqui para nomear a pessoa..- na Catarinense pelo preço de R$ 37,90. Caramba! A leitura em si não vale nada desse preço, vale no máximo R$ 29,00 e por isso fiquei indignada. Por R$ 37,90 eu compraria um livro realmente bom e seria um preço justo. Então, fui pesquisar na Saraiva e vi que somente tinha a primeira versão da capa, aquela tosca da qual falei, mas não sosseguei e acabei encontrando um Vira-Vira por R$ 11,90 do livro três e quatro juntos, mas de brochura e com 400 páginas apesar de a capa ser bonita também. Veja bem, não tenho nada contra livros de brochura - inclusive, tenho alguns na minha biblioteca pessoal - até porque é uma política incentivadora de leitura já que diminui drasticamente o preço de custo proporcionando maiores adeptos, ainda mais agora com essa tecnologia mobile, Ipads e afins. É uma questão muito delicada no fim das contas. A dúvida quase me matou, pois fiquei incerta, devido a minha pouca possibilidade financeira, e confesso que pensei em primeiramente comprar o Vira-Vira já que vinha os dois e o preço era de boa, e depois quem sabe atualizar a minha coleção com os livros originais. Mas essa ideia me incomodou bastante, mesmo podendo pagar o valor do original e querer o provisório só para não parar a leitura, comecei a cogitar o desgosto de continuar lendo o livro só por ser um livro mole. Foi aí que comecei a refletir sobre esses aspectos na hora da compra de um bom livro, ou ruim- na dúvida, durma - e observei claramente que existe um padrão preponderante na hora do comprador analisar a sua compra. Primeiro, a capa sempre é a que chama muita atenção, sendo um fator primordial na análise final do livro. Segundo, um livro sem sinopse não cativa tanto o leitor/comprador pois não se sabe o assunto, sem contar aqueles em que na parte de trás vem apenas comentários de pessoas que leram. Terceiro, os moldes do livro, a fonte e o tipo de papel influenciam absurdamente na vontade de ler e também podem prejudicar a leitura, no caso de uma continuação como livros de séries.

Agora minhas análises. Bem, livros de brochura e de bolso são muito práticos por serem de tamanho menor, geralmente 14x12 ou 18x12. No entanto, em se tratando dos de brochura, a qualidade do papel, da capa e da impressão prejudica na hora de ler, não só pelo fato de tornar muitas vezes a leitura massante, em função das fontes normalmente pequenas, mas também nos cuidados porque são muito frágeis e se desgastam mais rapidamente com o tempo. O que compensa são os preços de sebo basicamente, apesar de que hoje em dia os sebos não só vendem/trocam/aceitam livros velhos ou com a qualidade relativamente boa mas também compram livros para vender por um preço melhor e assim lucrar e ganhar nome, até mesmo mudar a visão de sebo, que é o que já vem ocorrendo bastante - acho isso, aliás, muito positivo, mas mesmo assim eu ainda sou adepta dos sebos aonde os livros cheiram a mofo-. Já os livros de bolso da L&PM, por exemplo, são mais bem tratados e é claro possuem uma política um pouco diferente já que seus livros tem uma capa mais densa, as folhas são com um tipo de papel mais durinho e a fonte é um pouco maior. Por fim, tudo isso para dizer que a qualidade do livro influencia o comprador, o leitor, o amante e/ou colecionador. Assim sendo, decidi gastar mais dinheiro, ainda que a leitura não valha tanto, no original em função da capa ser bem produzida, da textura do livro ser instigante, a fonte e a impressão serem boas, o papel durar mais e ser melhor para manusear, mas ter um livro que se enquadre nas minhas concepções de leitura e do que é bom. Sem contar que na hora de comprar os originais, eu provavelmente não vou ler e aí sim será dinheiro jogado fora. Muito melhor comprar um original e se sentir cativado lendo o livro, mesmo que todo o aspecto externo mude o conceito da leitura em si, do que bloquear sua liberdade de imaginação por detalhes que infelizmente fazem toda a diferença. 

De qualquer forma, eu quero agradecer e parabenizar quem atualiza as edições dos livros constantemente com o pensamento de "melhorar sempre". A propósito, comprar livro é que nem estudar DT, a teoria nem sempre é mais eficiente do que a prática assim como a prática nem sempre é mais eficiente do que a teoria! 

Questões, Vida, Imcompreensão.

Quão vulnerável são os sentimentos nossos?
Em qual dos estágios da vida somos superiores a nós mesmos?
Quando admitimos que nada sabemos?
Quantas vezes o acaso é o melhor dos caminhos?
Em quais casas a felicidade é completa?
Somos o que queremos, o que queríamos?
É essa a vida que desejamos?

Somos tão vulneráveis quanto queremos ser.
Nunca seremos superiores a nós mesmos, até que atinjamos a sabedoria.
Vem com a velhice, conforme o tempo.
Desgasta, entristece.

Eis o grande motivo pelo qual morremos, sabedoria demais.
Tudo precisa acabar um dia, nossos corpos não comportam o tempo.
Admitimos que não sabemos de nada quando o destino fica faceiro.
Brinca com as nossas vidas, faz gato e sapato dos nossos sentimentos.

O destino é a própria vida, a própria existência que se vai embora um dia.
O acaso é o melhor dos caminhos quando não enxergamos a realidade.
É aquele bendito sol que se é tampado com a peneira.

Nenhuma casa tem felicidade completa, o ser humano é insatisfeito.
Não é defeito, é o natural do homem.
Não somos o que queremos, não somos o que queríamos ser.
É incrível a mania de culpar o outrem, o passado, o fracasso.

Engenheiros do Hawaii~Esportes Radicais

"(..)não vou ficar parado, não vou passar batido
se nada faz sentido, há muito que fazer
não vou ficar parado, não vou passar batido
se nada faz sentido, há muito que fazer
não há alternativa, é a única opção
unir otimismo da vontade e o pessimismo da razão
contra toda expectativa, contra qualquer previsão
há um ponto de partida, há um ponto de união:
sentir com inteligência, pensar com emoção
não vou ficar parado, não vou passar batido
se nada faz sentido, há muito que fazer
(..)"

just one word.

Irremediável.

Sobre Mindwalk "Ponto de Mutação" (Direção de Bernt Amadeus Capra).

Marta C. G. Braga disse "É pirante você pensar que uma cadeira é feita de possibilidades.O átomo é uma possibilidade. No entanto, essa cadeira existe..é concreta". Como isso acontece? Sistema é a resposta. Jogo de consequências. Só existe sistema através de interligações. Uma coisa leva a outra. Os fótons são unidades, partículas que ocasionalmente surgem a partir da diferenciação de energia dos elétrons quando excitados. Ou seja, quando um deles é excitado o seu nível de energia aumenta e depois diminui voltando ao seu estado natural. Quando isso acontece uma luz é emitida, e é justamente a frequência diferenciada desses fótons que faz com que exista uma luz azul ou verde, amarela ou laranja. Estamos presentes nessa contínua rede e nem ao menos sabemos. Se não fosse esse sistema, essas interligações, possivelmente nem os fótons e nem muitas outras coisas aconteceriam proporcionando outras tantas. É assim que funciona o mundo. É assim que funciona o Design.

Quando colocamos as pessoas em questionamento sobre a palavra em si, o seu significado, todas diziam mais palavras que pudessem definir aquilo. Certo ou errado, não estamos entrando na questão do que realmente significa Design. O que está em pauta aqui é a maneira como essas palavras se inter-relacionam formando, então, um conceito. O Design possui um sistema que ocasiona o seu conceito. O conceito é a consequência do sistema. Cada relação entre palavras, quando postas em caixas imaginárias, obedecem a um certo processo de classificação. Qual o critério que será utilizado para projetar, por exemplo, uma sala ou um site? Qual o critério que será utilizado para projetar um vídeo? O designer tem que entender como funciona a cabeça do seu cliente, tem que ser um pouco psicólogo, para poder projetar exatamente o que dele é esperado.

Concluindo rapidamente, temos, então, que a idéia de Bernt Amadeus Capra pode ser transferida para qualquer situação da vida, qualquer assunto, simplesmente porque tudo é obra de uma inter-relação. E é claro, não dá para deixar de concordar com Marta C. G. Braga que realmente é pirante estar envolvido em uma situação da qual não fazemos noção de tamanha complexidade.

O que aconteceria se a cadeira não fosse feita de partículas que se inter-relacionam? Dá para imaginar?


Written by Tassyana Bernardino

Just Sex.

"Vejo no espelho o que quero ver. Decido quando e como agir. Poderia eu ter tomado decisão mais sábia do que deixar o tempo me levar? O destino seguir seu rumo, o processo natural acumulado em todas as coisas, em cada pedaço de mim. Refúgio ou liberdade. Eu tenho os dois. Completamente os dois. Nús. Sexo? A real é que não existe esse negócio de amor no sexo, se assim o fosse, não precisaríamos do sexo para materializar o amor. Relacionamentos físicos são por puro prazer sexual. Sexo é um jogo de prazer. Você pode jogar em todos os lados, a hora que quiser. O objetivo é um só: satisfazer os desejos carnais. Vamos. Toque, sinta, toque. Quanto prazer, huh? É esse o segredo, meninas."

Like You- Evanescence

"Stay low, soft, dark, and dreamless
Far beneath my nightmares and loneliness
I hate me for breathing without you
I don't want to feel anymore for you

Grieving for you
I'm not grieving for you
Nothing real love can't undo
And though I may have lost my way
All paths lead straight to you

I long to be like you
Lie cold in the ground like you

Halo, blinding wall between us
Melt away and leave us alone again
Humming, haunted somewhere out there
I believe our love can see us through in death

I long to be like you
Lie cold in the ground like you
There's room inside for two
And I'm not grieving for you
I'm coming for you

You're not alone
No matter what they told you
You're not alone
I'll be right beside you forevermore

I long to be like you, my sis
Lie cold in the ground like you, dear
There's room inside for two
And I'm not grieving for you
And as we lay in silent bliss
I know you remember me
I long to be like you
Lie cold in the ground like you
There's room inside for two
And I'm not grieving for you
I'm coming for you"


for you, sister.

and you, daddy.

Por Enquanto/Mudaram as Estações- Cássia Eller (Composição de Renato Russo)

"Mudaram as estações, nada mudou
Mas eu sei que alguma coisa aconteceu
Tá tudo assim, tão diferente.

Se lembra quando a gente chegou um dia a acreditar
Que tudo era pra sempre
Sem saber, que o sempre, sempre acaba..

Mas nada vai conseguir mudar o que ficou
Quando penso em alguém só penso em você
E aí, então, estamos bem..

Mesmo com tantos motivos
Pra deixar tudo como está
Nem desistir, nem tentar agora tanto faz
Estamos indo de volta pra casa

Mesmo com tantos motivos
Pra deixar tudo como está
Nem desistir, nem tentar agora tanto faz
Estamos indo de volta pra casa."

A Verdade No Papel

Estranho como as coisas se desenrolam. A vida não é um conto de fadas, a vida é de pessoas reais. Quem é o príncipe encantado senão um sapo? A todo momento estão se metendo em confusões sem fim. Não têm a coragem de deixar o passado de lado e acabam se enfiando num presente totalmente dependente do que passou. Não têm a coragem de se libertar, de viver o novo caminho. Ela diz "Jogue o que te devora para o abismo, mate, esmague..Tire-se do abismo". Tão menina e já sabe de todas as coisas. E eu, tão velha e espectadora de todo o teatro. Esperei todo esse tempo por alguma coisa impactante o suficiente para que percebesse, mas fiquei chocada quando ouvi que a vida não é que nem as novelas. Quer saber qual é a maior ironia? Pensar que estava liberta. Enganei-me. Estou novamente em luto. Nada mudou, afinal. Apenas descobri mais coisas sobre mim e aceitei que há verdades que não quero admitir, mas que é preciso, porque a paz só surge a partir disso. Tanto tempo parcialmente perdido. Enganando-me. Há um caos. Um caos domado. Não sei o que quero e como conseqüência não entendo o que se passa dentro de mim. Deixo então, as decisões aparecerem sem ter que decidir. Aos trancos e barrancos pelo processo natural.

Cigarro de Utopia

Fume seu cigarro. Use o que quiser. Esse batom vermelho é sempre o meu.
Fume seu cigarro, meu caro. Em pé ou deitado, de pernas bem abertas só eu.
Fume seu cigarro que eu fumo o meu. Você aí, eu aqui. Sempre um breu.
Fume seu cigarro amargo. Busque no fulgor da juventude grandes afagos.
Fume seu cigarro em qualquer casa. Só ao meu lado é que tem toda a graça.
Fume seu cigarro em qualquer posição. Eu me rio de todas em longa proporção.


Chuva de Meio-Inverno

“Chove. Não paro de observar o movimento intenso das nuvens. Da janela do penúltimo andar vejo as pessoas correndo e a cidade num pequeno tumulto. Fim de expediente. Daqui alguns minutos farei aquela maldita prova e a minha cabeça estará inteiramente no conforto da minha cama. Lendo um bom livro.

Quando chove fico serena, nunca soube explicar o porquê. E se choro, de repente meu olhar se prende em algum canto ou pensamento e toda aquela lágrima seca no meu rosto. Chove sem parar.”

Sonhadora

"Pés fora do chão...
Voando, lá vou eu.
Ora aqui, ora ali
Nômade de mim.
E num instante!
Perco-me e não há fim.."

Histórias de Fim de Tarde: Café com Bolacha

“Abro a porta da frente. Uma brisa suave e gélida bate em meu rosto,faz meu corpo estremecer. Ao redor, apenas mato e cavalos no pasto. Respiro fundo tentando captar toda a essência da mãe natureza. Agradeço por ter os olhos abertos por mais um dia. Ao longe o sol se põe, e a chaleira apita num repente como que me acordasse de um sonho intenso. Corro até a cozinha, o som das minhas chinelas arrastando no chão, ecoando pela sala que atravesso. É bem solitária minha vida, mas há uma paz nessa solidão que faz minha tristeza ser mais do que tristes canções. Sou feliz com a minha casinha de campo, minhas galinhas, minhas verduras. Que sensação agradável. O cheiro do café invade a casa, aquece mais que cobertor. Dirijo-me à varanda e sento na velha cadeira de balanço que dá vista para o lago. Pensamentos nostálgicos me invadem e um sorriso leve, quase um suspiro, transparece em meus lábios. Eu era jovem. Minha pele era outra. Meus sonhos permaneceram os mesmos. Tantos erros cometi. Os caminhos mudaram, o destino talvez tivesse sido o mesmo. Tomo um gole do meu café e como algumas bolachas de sal e água. Meus cigarros não me levaram a nada, apenas atenuaram a dor e a insatisfação. A vida era estressante, minha saúde nunca foi a mesma. Uma lágrima escorre. Surpreendo-me. Não tive filhos nem marido. Atirei-me em muitos poços e levantei de todos. Estou velha. Meu amor por ele, sempre o mesmo. Meus lábios logo perderão a cor, meu corpo não mais será quente. Secarei. Poderia ele ter visto isso um dia acontecendo, tão cedo? Poderia ele ter pensado nessa vida calma no fim de tudo? Um sopro passa por meus ouvidos. É Ela. Veio me buscar. Respiro o ar puro mais uma vez, tomo o resto do meu café. Estou pronta, depois de ter vivido amedrontada. Sou sábia de todas as coisas, nada mais tenho que fazer aqui. Fecho os olhos com ternura, chamo-a. Uma certa leveza. A tempestade me carrega e num repente se amansa. Cheiros de perfumes me envolvem. Encantam-me. E no fim, um abraço doce e afável como se tivesse o mundo inteiro em si. Meu corpo relaxa, adormece na cadeira. Nada vi, apenas senti. Tudo foi essência, que me transportou para algum lugar além de mim. Algum lugar aonde corpos não existem, apenas a consciência. Sei que apenas uma coisa desejei. Encontrar ele de novo.”

Histórias da Madrugada: Algo Me Chama

"Mais uma xícara de chá para a minha ansiedade, se eu tivesse paciência para isso. Opto seguidamente por xícaras de café e muitos cigarros. Papai certamente ficaria preocupado se soubesse como tenho destruído a mim mesma nos últimos tempos. A verdade é que tudo foi escolha minha, mesmo esse cúbiculo mofado e cheio de vizinhos insuportáveis. É o próprio inferno. Reviso muitas vezes o que falar na entrevista de emprego tão esperada. Finalmente vou trabalhar como professora de francês. Já sei o esperar se conseguir a vaga, apenas não sei o que esperar de mim se isso realmente acontecer. Amasso o toco de mais um cigarro. Quase quatro da matina e o sono não vem; que estrago, é um desgaste para minha pele mas já virou quase rotina. O celular ressoa no silêncio da kitinete. Atendo. É ele. Como a extensão da minha própria consciência. Acordo suada. Olho para os lados e me vejo sozinha. Foi apenas um sonho."

Crítica

Vejo muitos artigos críticos a respeito do ensino/aprendizagem em sala de aula que mantém uma posição conservadora, isto é, continuam acreditando que o professor é a entidade máxima dotada do poder absoluto relativo ao conhecimento, que acreditam, segundo Becker¹, na transmissão do conhecimento, chamando o referido posicionamente de Pedagogia Diretiva, que já no próprio nome indica uma lógica. É objetiva, sem rodeios, não espera nada além do que se quer. Becker chama essa "crença" na transmissão do conhecimento de "mito", porém não explica o porquê. Por que "mito"? Por ser um pensamento comum, mesmo inconscientemente, à grande maioria funcional? E que é errônea? Acredito que não se pode falar em teorias e posicionamentos mantendo uma postura extrema, radical. Estamos frente a uma análise mais profunda das práticas pedagógicas em sala de aula, o objetivo disso tudo não é apenas levantar as problemáticas do sistema, mas sim, juntos, na mesma direção, encontrar uma solução para que o ensino se torne cada vez mais compacto.

Outros, baseiam-se no modelo Pedagógico Não-Diretivo, no outro extremo da corda bamba. Por acreditar que devem interferir o mínimo possível, acabam por não causar o efeito que pretendem, pois o que deveria ser motivo de interesse torna-se um motivo de desleixo, despreocupação em massa. Esta é uma postura completamente Apriorista, em que o conhecimento nasce com o ser humano..que já é programado genéticamente, a bagagem hereditária. No entanto, com essa atitude, mais uma vez extremista, frizando portanto, acaba botando tudo a perder porque abstém-se de interferir no processo de aprendizagem do aluno.

Por sua vez, chegam os que agem segundo a Pedagogia Relacional, esta sim neutralizadora, não aponta nem um extremo nem outro, e fazendo jus a o seu contexto teórico, é criadora de um novo posicionamento. Fala-nos a concepção que, por assim dizer, o aluno somente aprenderá alguma coisa de fato se houver construção de um novo conhecimento, partindo do ponto da ação e problematização. Assimilação e Acomodação. Ou seja, o aluno deve questionar a sua ação.

Concluindo, e não menos perceptível, assumo uma postura de combinações. Aluno e professor interagindo. Determinando mutuamente.

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¹ Becker, Fernando. Modelos Pedagógicos e Modelos Epistemológicos.

A Carne De Um Desejo

Não saberia dizer quando começou todo aquele turbilhão de sinestesia, apenas constato que deleitava-me naquelas sensações ébrias que faziam-me aventurar por mundos desconhecidos como se fosse um sonho. Eu era personagem real mas também encontrava-me como expectadora de um espetáculo que não parecia nada surreal. A imagem surgiu como a chuva que deságua num repente, tão intensa e imprevista que provocou a minha reação retardada ou então, a minha não-reação. Fiquei estática, como uma escultura grega que tudo vê e ouve porém nada fala ou faz.
Meu corpo pulsava de uma maneira que nunca havia sentido e um desejo ardente invadia-me como se eu fosse a qualquer momento avançar em cima daquele ser carregado de uma força magnética que eu não entendia. Aquele falar sem nenhuma palavra..sequer um suspiro, apenas um olhar fixo querendo dizer coisas inauditas. Ambos nos aproximávamos sem nem ao menos disso nos aperceber e então eu senti colado ao meu corpo um membro insaciável, de uma presença voluptuosa imensa. Ele parecia um monstro esfomeado em seu exílio quase eterno, embora sedendo aos poucos seu orgulho; E eu, eu parecia uma fera..uma succubus pronta para atacar sem dó e sem escrúpulos. Tudo dentro de mim aflorava como o sangue de uma espadada mortal, eu queria aquele corpo provido de alma tão sublime..eu queria aquela face delicada e encantadora. Enlouqueci de um prazer absoluto sem de fato senti-lo dentro de mim..isso foi o suficiente para que eu esquecesse quem era e onde estava. Ataquei-o velozmente com meus lábios famintos, sem pausas, sem tempo para respirar. Não deixei resquícios de pensamentos sóbrios, eu queria joga-lo no chão e possuir tudo aquilo que já era meu por direito e por carma. Por destino. De repente, tudo some e o ar fica tão seco quanto o deserto. Acordo. Desesperada olho para o relógio e percebo que realmente não estava atrasada.

SEXUALIDADE E AUTO-ESTIMA

A preocupação com a satisfação e o prazer sexual de homens e mulheres tem aumentado consideravelmente nos últimos anos. Em decorrência disso, tem aumentado a necessidade de se compreender melhor as dificuldades sexuais, suas causas e conseqüências.

Sabemos que a sexualidade é parte integrante da personalidade total das pessoas. A sexualidade humana não se limita ao ato sexual; ela engloba emoções, afetos, sensações, etc. Dessa forma, sentimentos e pensamentos influenciam o exercício da sexualidade. O contrário também ocorre, ou seja, a vivência da sexualidade irá influenciar sentimentos e pensamentos, inclusive a respeito de si mesmo.

O conceito de auto-estima pode ser compreendido como a aceitação do que se é e como se é. É a confiança no direito de ser feliz, a percepção de valor e de poder ser admirado. A sensação de inadequação, de culpa ou vergonha, ou ainda a ausência de confiança e amor-próprio, indicam prejuízo na auto-estima de um indivíduo.

É consenso entre os profissionais que a sexualidade humana sofre forte influência de fatores como auto-estima, auto-imagem e auto-conceito. A forma como a pessoa se valoriza interfere, sem dúvida, em como irá exercer sua sexualidade.

A auto-estima está relacionada a outros dois conceitos importantes: auto-eficácia e auto-respeito. A auto-eficácia é a confiança do indivíduo em sua capacidade para pensar e enfrentar os desafios da vida. Já o auto-respeito é a percepção de si mesmo como pessoa merecedora de felicidade e qualificada para expressar desejos e necessidades. O indivíduo com auto-estima preservada se respeita e exige o mesmo dos outros, e sente-se capaz de ser amado. Já uma pessoa com sentimentos de menos-valia pode não ter prazer sexual por não se sentir no direito de reivindicá-lo.

Como podemos perceber, sexualidade e auto-estima são conceitos que estão intimamente ligados, sendo que queixas e sintomas sexuais podem, muitas vezes, ser expressões de baixa auto-estima. É muito comum chegarem aos consultórios pessoas com dificuldades sexuais cuja causa é a má relação que a pessoa tem consigo ou com seu próprio corpo.

É o caso de mulheres que não conseguem ter orgasmo porque não estão satisfeitas com o corpo que têm, e se preocupam excessivamente com a aparência na hora da relação sexual. Ou ainda porque não se permitem pedir o estímulo adequado aos seus parceiros, e continuam mantendo relações pouco agradáveis.

Poder falar como quer ser tocada e estimulada, além de poder pedir as carícias ou práticas sexuais que lhe são prazerosas, exige que a pessoa seja um pouco "egoísta" em determinados momentos. Não se sentir importante o suficiente, ou ainda achar que o outro pode se aborrecer com as solicitações, limita significativamente as possibilidades de realização sexual.

Na prática clínica pude perceber que as conseqüências mais comuns da baixa auto-estima em mulheres são: grande necessidade de sentir-se amada e de agradar ao parceiro, medo de fazer solicitações, dificuldades com o corpo e aceitação do que não gosta ou não quer.

Os homens também apresentam dificuldades causadas pela baixa auto-estima, como sentimentos de incompetência, de ser menos "homem" ou menos viril, grande cobrança interna, comparação com outros homens e insatisfação com a fragilidade. Alguns ficam tão preocupados com seu desempenho sexual, acreditando que irão "falhar", que acabam apresentando dificuldades de ereção por causa dessa ansiedade. A antecipação do fracasso e a ansiedade de desempenho são processos cognitivo-emocionais bastante comuns, que normalmente levam a disfunções sexuais, e que na maioria das vezes são causados por insegurança e baixa auto-estima.

A função sexual preservada, isto é, livre de disfunções, é algo fundamental para a realização pessoal. As dificuldades sexuais, na maioria das vezes, abalam a estrutura global do indivíduo. Dessa forma, podem comprometer, de forma significativa, o bem-estar e a qualidade de vida de homens e mulheres.

A baixa auto-estima pode causar diversas dificuldades sexuais, sendo que essas dificuldades acarretam em uma alteração ainda maior do conceito que a pessoa tem de si mesma. A pouca valorização nos torna adversários do nosso próprio bem estar. Saber-se merecedor da felicidade é a essência da auto-estima e da plenitude sexual.


Cláudia Faria, Psicóloga e Terapeuta Sexual

Sobre o Discurso~

No processo de significação do discurso, pode-se perceber que o imaginário assume um papel relevante no funcionamento da linguagem. É esse imaginário que condiciona os sujeitos em suas discursividades e é como as relações sociais, regido por relações de poder. Assim, a análise do discurso se torna importante, pois atravessa esse imaginário para compreender melhor o que está sendo dito, do mesmo modo como quais as condições de produção; sendo que, essas condições são dadas pela sociedade ideológica. As palavras mudam de sentido de acordo com quem as emprega, então, a formação discursiva se define como aquilo que numa sociedade ideológica pode ou não ser dito e toda palavra é sempre parte de um discurso. Essa visão de sujeito inconsciente é problematizada na área de LA.
A partir disso, pode-se adentrar no aprendizado de uma LE no quesito sobre como a "gramática" é dada. Assim sendo, diz-se que não deve ser uma GR da forma e sim do sentido..em que tudo se torne coerente para o aluno, em que este possa analisar o discurso e tentar captar o que está por trás das palavras já que não não têm um sentido nelas mesmas. Aliado a isso, já que se trata do discurso, está a avaliação do livro didático..que é tão importante quanto, porque deve agir como um "pano de fundo" e não como o guia condutor da aula de LE, ou seja, questiona-se as bases fundadoras das metodologias e abordagens.

No nível da concepção discursiva, deve-se salientar que o texto não determina a leitura e sim o sujeito que determina a mesma pois este mesmo sujeito é participante de uma determinada formação discursiva e é nesse sentido que se diz o leitor ser o ponto de partida da produção de sentido.


Fontes:

  • Análise do Livro Didático- Princípios e Procedimentos- (págs. 42 e 43)- Eni Orlandi
  • O Desejo da Teoria e a Contingência da Prática- Maria José Coracini (Capítulo 9: Discursos Fundadores das Metodologias e Abordagens de Ensino de Língua Estrangeira- Márcia Aparecida Amador Mascia)
  • O Jogo Discursivo Na Aula de Leitura- Língua Materna e Língua Estrangeira: Maria José Coracini (Texto: Leitura- Decodificação, Processo Discursivo..?)
  • O Conflito de Vozes (págs. 21 à 27)- Lynn Mario T. Menezes de Souza

Divagações Subjetivas da Leitura: A Procura de Si (Diálogo Sobre o Sujeito) de Alain Touraine~

A partir do momento em que há uma dessubjetivação do sujeito, temos então uma experiência central..criadora. Nos distanciando de nós mesmos temos a oportunidade de aprender sobre a vida e a partir disso criar muitas outras coisas que talvez substituam esses 'eus' distanciados. Quero dizer, quando você tem um experiência central consequentemente o seu potencial criativo sobre aquilo se espande de maneira absolutamente natural.

Ou, a distância de si para si como sendo um momento em que o 'eu' real do sujeito se desprende do seu corpo, social talvez, quando ele enra em contato com ele próprio. No caso, ocorre um aumento da dessubjetivação do sujeito.

Na realidade, somos o não-sujeito. Socialmente falando há uma constante desindividualização. O sujeito permqanece na esperança de se salvar num mundo em que não existe um 'eu'. Por isso, o sujeito perspassa a noção de fé ou de comprimisso. Ele, na verdade, chega a ser a própria fé ou o compromisso. Não eixste, de fato, um sujeito não-social. O sujeito não deixa de ser uma moral, uma ética. Como sobreviver num mundo sem autonomia?

Ele é vazio dele mesmo porque é composto "apenas" do não-eu. É um objeto social que não faz o que agrada a si próprio porque não tem autonomia.

Se digo que o desejo do sujeito é ser um ator, estou excluindo a necessidade de subjetivismo, porque a sociedade é racional. Agora se digo que o sujeito é um ator social porque quer mudar o seu meio ambiente, então posso dizer que o seu desejo é de ser um ator. O sujeito jamais vai ser pleno se não houver o desejo de ser ator, pois todos querem modificar o seu meio de alguma forma..independentemente dos métodos vindouros. Portanto, podemos dizer que o sujeito é realmente vazio. Para reconhecermo-nos na vida precisamos da capacidade de refletir sobre nós mesmos. É nesse ponto em que podemos romper os limites do sujeito social, destruindo ou não quem nos habita. Ou melhor, quem não nos habita, talvez.
Não desistamos de encontrar o verdadeiro sentido da nossa existência. Talvez seja isso que nos faça sujeito, afinal. Esse equilíbrio, essa distância de nós para nós mesmos.

Nota final: Divagações baseadas em citações colocadas ao fluir do livro.